Razões para secar a madeira

As principais são:

  • Aumentar a estabilidade dimensional da madeira, que sofre contração com a perda de água. Por isso ela deve ser seca antes de chegar às suas dimensões finais;
  • Reduzir o peso gerando economia no transporte;
  • Reduzir o apodrecimento ou fungos manchadores, pois quando o teor de umidade fica abaixo de 20% a madeira não é atacada por esses microorganismos;
  • Aumentar as propriedades mecânicas da madeira;
  • Maior eficiência na impregnação com preservativo em processos industriais;
  • Melhorar as propriedades de isolamento térmico e elétrico do material;
  • Melhorar as condições de colagem.

 Tipos de Secagem:

  Há dois tipos de secagem: secagem natural ou feita ao ar livre e secagem artificial ou forçada, realizada em secadores projetados para otimizar o processo.

 Secagem natural – É o processo mais simples de retirada de água da madeira, expondo-a às condições atmosféricas. Baseia-se na circulação natural de ar entre as peças. Como não há controle sobre as condições atmosféricas, é um processo lento que pode durar vários meses. Não há necessidade de mão-de-obra especializada, mas demanda grandes espaços. Dependendo da espécie de madeira que está sendo seca, poderá ser necessário um pré-tratamento, para garantir a sanidade biológica das peças até que elas atinjam um equilíbrio em torno de 20% de umidade.

Alguns cuidados devem ser tomados para sua execução.  O primeiro diz respeito à escolha do pátio de secagem. Deve ser um local alto e plano, com boa drenagem do solo. A madeira deve ser empilhada com espaçamento entre as peças feito por meio de tabiques de alta durabilidade natural ou, então, adequadamente tratados. Este espaçamento proporcionará a livre circulação do ar que permitirá a remoção da água. As pilhas devem ser dispostas perpendicularmente aos ventos dominantes da região, permanecendo de 30 cm a 40 cm do solo, sem a proximidade de vegetação capaz de facilitar a propagação de microorganismos.

As diversas pilhas de madeira devem ser colocadas no pátio, formando um arruamento que facilite a operação de empilhadeiras e caminhões de carga e descarga. Nas fotos que se seguem, são apresentados exemplos de formas corretas e incorretas de empilhamento num pátio de secagem.

 

Formas corretas de empilhamento: tesoura (madeira serrada) gaiola (dormentes)

Secagem artificial – Realizada em câmaras fechadas onde são controladas as condições de temperatura, circulação e umidade relativa do ar. Esses controles fazem com que a secagem da madeira ocorra com mais rapidez e precisão do que sob condições ambientais. Pode-se promover a secagem até um teor de umidade pré-determinado em alguns dias ou semanas. Os secadores variam dependendo dos materiais construtivos empregados, formas de aquecimento, tipos de umidificação, circulação do ar, etc.

Há dois tipos de secadores: contínuos, muito usados para a secagem de lâminas de compensados, e estacionários que são os mais usados na indústria madeireira de9xando a matéria-prima confinada numa câmara de secagem.

A secagem artificial ou forçada também tem vantagens e desvantagens. Por exemplo, não necessita de grandes espaços, como na secagem natural, mas exige maior investimento inicial.

 Tipos de secadores – Existem no mercado, basicamente, dois tipos de secadores: os de baixa temperatura e os convencionais.

 Baixa temperatura – Operam na faixa de 30ºC a 50°C. Ventiladores fazem a circulação e mantêm a velocidade do ar em torno de 2,5 m/s. Encontram-se secadores por desumidificação e solares. Nos secadores por desumidificação a água é removida por condensação em serpentinas. Esse sistema apresenta bom controle, baixa ocorrência de defeitos na madeira, porém seu custo é elevado.

Os secadores solares são simples, baratos e com um nível de complexidade que os tornam indicados para operações de pequeno porte. Sua principal vantagem é o aproveitamento da energia solar, abundante em países como o Brasil. Sua temperatura de operação é da ordem de 55ºC a 60°C e serve para operações de pré-secagem.

Esquema de um secador solar. Para maior eficiência o ângulo de inclinação do coletor solar deve ser igual ao da latitude do local de secagem.

Secadores convencionais – Operam em temperaturas que podem chegar a 90°C, com velocidades de ar entre 1,4m/s e 2,3m/s. É o tipo mais comum de secador usado pela indústria madeireira.

A operação deste tipo de secador exige conhecimento teórico e prático sobre as características das madeiras sob secagem, para evitar o aparecimento de defeitos e depreciação econômica do lote que está sendo seco.O processo deve ser conduzido com cuidado e em etapas que se sucedem, com o aumento gradativo da temperatura e diminuição da umidade relativa do ar no interior da câmara.

Esse conjunto de etapas constitui o que se chama programa de secagem. A maioria dos fornecedores de equipamento deste tipo entrega aos seus clientes programas de secagem compatíveis com as principais madeiras brasileiras. Programas similares também estão acessíveis na literatura técnica e na Internet.

Ponto final da secagem:

Segundo o Manual de Secagem do IPT (Ponce, R.H. & Watai, L.T. – 1985), as madeiras devem ser secas até um teor de umidade final em função do tipo de aplicação a que se destinam. Confira na tabela a seguir:

Teor de Umidade Final recomendado para certos produtos de Madeira

Defeitos de secagem:

Podem ocorrer devido às tensões na madeira durante o processo de secagem quando conduzido de maneira inadequada. Os empenamentos são distorções das peças de madeira quando tomados como referência os planos de suas faces. As rachaduras são consequência da maior contração da madeira na direção tangencial, superando a contração radial.

Segundo Jankowsky, I. (Fundamentos de Secagem de Madeira – ESALQ – 1990) outros defeitos menos comuns que os empenamentos, mas também importantes e decorrentes do emprego de temperaturas elevadas e de processos rápidos de secagem, são o encruamento, o colapso e as rachaduras em favo:

  • Encruamento: Causado por secagem rápida e não uniforme. Se as camadas externas da madeira secarem antes da parte central, elas são impedidas de contrair e permanecem num estado de tensão. Quando a parte central seca, a tensão das camadas internas impede sua contração. Se a madeira for usada nestas condições o encruamento não é um problema sério. Entretanto, se a madeira for serrada novamente, as tensões serão aliviadas e poderão ocorrer distorções.
  • Colapso: Segundo Jankowsky, “o colapso caracteriza-se por ondulações nas superfícies da madeira, que pode apresentar-se bastante distorcida. O colapso é basicamente ocasionado por forças geradas durante a movimentação da água livre, que deformam as células. O colapso aparece quando a tensão desenvolvida, durante a saída de água livre, supera a resistência da madeira à compressão”.
  • Rachaduras em Favo: Ainda, segundo Jankowsky: “esse é um defeito típico da secagem artificial que se caracteriza por rachaduras no interior da peça. Exteriormente, a peça pode apresentar-se sem alterações. Esse tipo de defeito aparece normalmente associado ao colapso e ao encruamento, como consequência das tensões de tração, no interior das peças, terem excedido a resistência da madeira no sentido perpendicular às fibras. Previne-se o seu aparecimento evitando-se altas temperaturas até a remoção de água livre do interior das peças em secagem.”

Regras de Ouro da Secagem da Madeira:

  Embora secagem e preservação de madeiras sejam processos inversos, duas regras são comuns a ambas:

1ª) Sempre devem ser processadas madeiras da mesma espécie;

2ª)  As peças processadas devem ter as mesmas dimensões ou, pelo menos, próximas.

Leitura Complementar:
Galvão, A.P.M. & Jankowsky, I. Secagem Racional da Madeira . Nobel, 1985. 112 p.

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