Cupins

24 Sep 2016

Os cupins são insetos sociais, da mesma forma que as abelhas e formigas. Vivem em colônias onde as atividades são distribuídas por castas. Dentro de uma colônia podem ser encontrados:

  • Soldados, que são responsáveis pela defesa da colônia;

  • Operários, que possuem funções variadas, entre elas a construção de galerias, busca por alimento, cuidado e alimentação das formas jovens;

  • Imaturos e ninfas, que são as fases jovens do desenvolvimento dos cupins;

  • Reprodutores primários, que são o rei e a rainha, responsáveis pelo aumento populacional da colônia;

  • Reprodutores suplementares, que podem substituir o rei ou a rainha caso haja necessidade.

O cupim tem como seu principal alimento a celulose, obtida a partir da alimentação direta da madeira ou outros vegetais ou, ainda, pelo consumo de produtos fabricados a partir de matéria-prima vegetal, como papel, papelão, tecidos, etc. Muitas vezes ouve-se dizer que os cupins comem concreto, porém esta informação é incorreta. Não existe nenhum ser vivo que consiga se alimentar de material inorgânico, como areia, cimento e pedra. Favorece este mito o fato dos cupins corroerem materiais duros como esses, quando isso é necessário, para alcançar seu alimento celulósico.

Na natureza, os cupins atuam como decompositores da vegetação, tendo papel essencial na reciclagem de nutrientes, no aumento de matéria orgânica e aeração do solo. Apesar da grande utilidade deste inseto em ambientes naturais, deve-se também levar em consideração os prejuízos econômicos causados por ele anualmente, inclusive no Brasil.

A madeira é uma mercadoria valiosa e muito utilizada para diversas finalidades como, por exemplo, estruturas de construções civis e mobiliários. Uma infestação de cupins em uma casa, museu, igreja ou biblioteca poderá gerar grandes prejuízos.

Existem no Brasil 68 espécies de cupins-praga, sendo 34 pragas urbanas e 46 pragas agrícolas. Mas, apenas 14 delas são pragas importantes. Deste número, quatro são espécies exóticas e dez são nativas.

Os cupins-praga de maior importância, com ocorrência em áreas urbanas no estado de São Paulo, são: Coptotermes gestroi, Heterotermes tenuis, H. assu, H. longiceps (cupins de solo), Cryptotermes brevis, Cryptotermes havilandi (cupins de madeira seca) e Nasutitermes corniger (cupim arbóreo).

Cupim de madeira seca

Família: Kalotermitidae

Gênero: Cryptotermes

Espécie importante: Cryptotermes brevis

Ocorrência: ampla distribuição no Brasil todo, com registros nos estados de SP, RJ, ES, MG, RS, PA, SC, GO, DF, BA e AM.

Preferências: ataca peças e objetos de madeira manufaturada, como forros, rodapés, batentes, portas, igrejas, móveis, monumentos históricos, museus, telhados, janelas e outros.

Cupim subterrâneo

Família: Rhinotermitidae

Gênero: Coptotermes e Heterotermes

Espécies importantes: Coptotermes gestroi

Ocorrência: é originária do Oriente, nativa do sudeste da Ásia e Indonésia. Possui ampla distribuição mundial. No Brasil é encontrado nos estados de SP, RJ, ES, MG, PE, CE, BA, PA, PR.

Preferências: ataca uma ampla variedade de materiais como madeiras estruturais, papel, papelão, cabos elétricos e telefônicos, plásticos, reboco, couro, tecidos, isopor, metal, borracha, betume, gesso e árvores vivas.

Cupim arbóreo

Família: Termitidae

Gênero: Nasutitermes

Espécie importante: Nasititermes corniger

Ocorrência: sul do México até Argentina. No Brasil é encontrado nos estados de MS, PR, MG, SP, ES, AM, PB, PA, CE, MA, BA e PE.

Preferências: madeiras de edificações, postes de madeira e mourões de cerca.

Peculiaridades: possui uma estrutura sobre a cabeça lembrando um nariz (daí o termo nasu). Constrói seu ninho sobre árvores, as quais não atacam, pois servem de abrigo.

Reprodução

Durante o período de reprodução, que ocorre geralmente de setembro a dezembro, dependendo da espécie, e quase sempre após a ocorrência de chuva, adultos alados saem dos ninhos para a revoada à procura de um ponto de luz, que funciona como local de encontro. Machos e fêmeas de cupins, conhecidos popularmente como siriris ou aleluias, juntam-se para iniciar o namoro.

Primeiramente eles soltam suas asas e as fêmeas iniciam o "tandem", uma dança para atração dos machos. São liberados feromônios que fazem com que os machos sigam a fêmea durante uma caminhada em círculo. Após muitas voltas, o macho mais resistente é selecionado e irá cavar um buraco para a construção da câmara nupcial onde irão acasalar. Em casos de reprodução para espécies de cupim de solo, a câmara nupcial será construída no próprio solo. Em casos de espécies de cupins de madeira seca, será procurada a madeira apropriada. Depois que a câmara nupcial estiver pronta é que ocorre a fecundação da fêmea. No caso de formigas e abelhas, o acasalamento ocorre durante o vôo.

A fêmea irá botar os ovos uma semana após o primeiro acasalamento. Esses ovos irão eclodir cerca de 30 dias depois, liberando os imaturos ou formas jovens dos cupins. O casal real irá cuidar da primeira prole até que se desenvolva, dando origem aos primeiros operários. Depois de alguns meses, a fecundidade da rainha irá aumentar seu abdômen, assim como o número de ovos, até estabilizar em uma quantidade contínua, que é variável de acordo com a espécie analisada. Este fenômeno é denominado fisiogastria. O macho não sofre modificações tão evidentes.

Uma colônia contém normalmente apenas um casal reprodutor, denominado casal real ou fundador. A dupla é responsável apenas pela reprodução, copulação e ovoposição, sendo alimentada na boca pelos operários. Uma rainha pode viver aproximadamente 10 anos e chegar a pôr em média 7 mil ovos por dia, dependendo da espécie.

Quando o casal real desaparece, pode ocorrer em certos casos a morte da colônia. Em outros, há o aparecimento de reprodutores de substituição ou reprodutores suplementares. As rainhas e reis substitutos só amadurecem sexualmente após a morte dos seus antecessores reais. Esse fato ocorre devido aos feromônios, que agem como mensageiros químicos entre indivíduos da colônia e possuem diversas funções. Neste caso, quando exalado por um indivíduo real, ocorre a inibição do desenvolvimento de possíveis competidores. Os novos cupins, depois da fase de imaturos, irão crescer e diferenciar-se em operários ou ninfas. O processo de diferenciação entre castas também é mediado pelos feromônios e ainda não é bem conhecido.

Os operários são indivíduos cegos, sem asas e pouco pigmentados. Esta casta é constituída por machos e fêmeas que permanecem estéreis e com morfologia pouco diferenciada das fases jovens. São responsáveis pela alimentação da rainha e dos imaturos, pela construção de novas galerias e reparos na colônia. São eles que atacam a madeira e correspondem à maior proporção da população da colônia.

Suas bocas são pequenas, mas suas mandíbulas são especialmente adaptadas para cortar e dilacerar fragmentos de madeira e outros alimentos. Além das atividades citadas, realizam quase todas as atividades da colônia, como limpar o cupinzeiro, cuidar do acondicionamento dos ovos, da horta (pois há espécies de cupins que criam fungos sobre a madeira e outros materiais), podem coletar alimentação fora do ninho e chegam, em alguns casos, a participar com os soldados na defesa da colônia.

A casta de soldados é composta de indivíduos machos e fêmeas que permanecem estéreis, não possuem asas e são cegos como os operários. Entretanto, o corpo é um pouco mais pigmentado em relação aos operários. Sua função básica é a defesa da colônia e, portanto, essa casta possui uma morfologia bastante peculiar. Suas mandíbulas são bastante desenvolvidas e fortes, adaptadas para o combate, por isso são incapazes de obter seu próprio alimento, sendo alimentados pelos operários. As mandíbulas podem ser do tipo mastigadora esmagadora, ceifadora, perfurante ou estalante. Em algumas espécies, pode existir um dispositivo para expulsão de substâncias químicas que são utilizadas contra o inimigo. A defesa química consiste na ejeção de substâncias tóxicas produzidas por glândulas e estocadas em volumosos reservatórios situados na cabeça ou no abdômen.

1 - Soldado de cupim de madeira seca (Cryptotermes brevis); 2- Soldado de cupim subterrâneo (Neocapriptermes sp.); 3 e 4 - Ninhos de cupins arbóreos

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