Construção

24 Sep 2016

Com relação ao setor da construção civil, o forte apelo ambientalista global apresenta uma nova oportunidade para que a madeira ocupe lugar de destaque entre os materiais de construção, pois a madeira de reflorestamento, tal como ocorre com a nativa, já dispõe de certificações (FSC) que garantem ao usuário sua procedência.

Madeira é um material heterogêneo que apresenta uma diversidade estética capaz de atender a todos os gostos, além de apresentar o menor consumo de energia entre diversos materiais de construção:

Segundo dados apresentados pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2005, o Brasil possuía cerca de 2,7% de sua superfície coberta por florestas plantadas, valor correspondente a 5,2 milhões de hectares, assim distribuídos:

Esses recursos florestais estão concentrados nas regiões sul e sudeste do País, que têm a maior demanda por madeiras tropicais da região amazônica. O problema tende a se acirrar devido às crescentes pressões internacionais contra o desmatamento.

Com todo esse potencial madeireiro renovável e capaz de viabilizar a produção ecologicamente correta, parece residir aí o equacionamento do problema de futuro fornecimento de madeira para a construção civil, o que é estratégico para planos públicos de solução ao déficit habitacional brasileiro.

Segundo a Associação Brasileira de Preservadores de Madeira (ABPM), em 2005, somente 40 mil metros cúbicos de madeira tratada, dos gêneros Pinus e Eucalipto, foram destinados à construção civil. O número é irrisório quando confrontado aos 2,8 milhões de metros cúbicos produzidos na Europa para a mesma finalidade, no mesmo ano. É realmente espantosa essa comparação, principalmente por ser maior a riqueza florestal brasileira, se comparada à do continente europeu. A explicação para este paradoxo vem do preconceito que remonta à história da colonização brasileira e que persiste até hoje. Observa-se o uso intensivo de madeira nos extremos da pirâmide social. Entre os mais pobres, na forma de sub-habitações; no extremo oposto, em habitações de alto luxo, geralmente com estruturas superdimensionadas e em composições com outros materiais construtivos.

Entre os maiores benefícios do emprego da madeira de reflorestamento tratada na construção civil estão os econômicos.
A importante expansão do número de usinas de preservação de madeiras, estrategicamente instaladas nas regiões sul e sudeste do País, favorece a competitividade comercial da madeira tratada na construção civil, com demanda potencialmente crescente, em especial nas regiões de maior consumo.

Entre as espécies de Eucalipto que se enquadram nesta situação (cerne igual ou acima de moderadamente durável), encontram-se na literatura exemplos de madeira que, uma vez serradas, terão expostos cernes de resistência natural, igual ou superior a moderada: E. citrodora (ou Corymbia citrodora, de acordo com a nova classificação botânica), E. paniculata, E. maculata, E. pilularis, E. microphyla, E. longifólia, E. comenioides, E. puntacta, E. umbra e E. microcoris.

Por sua vez, a definição da forma de tratamento mais adequada do ponto de vista custo/benefício dependerá do tipo de utilização dada à madeira e de sua exposição aos agentes deterioradores:

Esta é uma tabela básica, adotada com pequenas variações em grande parte dos países.

A essas classes de uso estão atrelados, por especificações internacionais, processos de tratamento, retenções e penetrações de produtos preservativos para garantir a máxima relação custo/benefício para um processo construtivo em particular.

Pela consulta dessas normas, percebe-se que há tratamentos que cobrem todas as classes de utilização como os chamados processos industriais, realizados sob pressão em instalações equipadas com autoclave e outros aparatos industriais. Nesse caso, podem ser usados preservativos hidrossolúveis como, por exemplo, o Osmose K 33C (CCA) e o MOQ OX 50 (CCB). Para tratar madeira fora de contato direto com o solo, de uso interno, a aplicação tópica de um inseticida/fungicida, ou um stain com ação fungicida pode ser suficiente.

Em casos de esquadrias (portas e janelas) em que a madeira já esteja seca e aclimatada para as condições finais de uso, a solução mais viável é a aplicação de um processo duplo-vácuo ou imersão em produto preservativo designado pela sigla LOSP (Light Organic Soluble Preservative), formulado à base de um solvente de baixo ponto de ebulição (aguarrás mineral), tendo como princípios ativos um fungicida (IPBC - Iodo Propinil Butil Carbamato) e um inseticida (piretróide, como a cipermetrina). Este solvente evapora rapidamente e os princípios ativos associados não alteram a cor da madeira, nem interferem nas colagens ou nos acabamentos eventualmente aplicados, atendendo aos mais variados gostos.

Do ponto de vista da sanidade biológica, a tecnologia está disponível para a correta utilização de madeira de reflorestamento na construção civil. A demanda por madeira de reflorestamento para construção deverá crescer nos próximos anos no Brasil devido a fatores como:

  • Pressão ecológica contra o uso de madeiras nativas de florestas tropicais

  • Menor consumo de energia na produção da madeira em comparação a outros materiais construtivos

  • Desmistificação sobre as alegadas deficiências do material madeira

  • Crescimento de normas nacionais abrangendo bens produzidos com o material madeira, com destaque para a norma NBR -7190

  • Pessoas buscam melhor qualidade de vida, isto é, em ambientes mais harmoniosos com a natureza

  • Melhoria dos conhecimentos silviculturais e de tecnologia na industrialização da madeira

Espera-se com estes fatores condicionantes, aliados à derrubada do preconceito contra o uso da madeira pelas novas gerações, bem-informadas e conscientes, uma mudança radical a curto e médio prazos, no sentido do uso sustentado e extensivo da madeira tratada em todo o País. Além de estruturas, a madeira serrada tem as mais diversas utilizações como decks, píers etc.

Decks

Há duas opções em decks:

  • fixos - fixados por meio de parafusos em barrotes ou em vigas que formam o contrapiso, com o devido caimento para facilitar o escoamento da água

  • encaixados - modulares e podem ser removidos para limpeza ou remanejados em caso de mudanças

Madeira é suscetível à degradação pela luz do Sol, que produz alterações de cor e rugosidade em sua superfície. Por isso, é aconselhável que a cada 18 meses, decks de madeira sejam protegidos com um stain aditivado com absorvedor de radiação ultravioleta, o filtro solar.

Stain é um tipo de acabamento que, por não formar película rígida, permite a movimentação natural da madeira sem trincar, o que se observa nos vernizes e tintas convencionais. Stain facilita as reaplicações periódicas do produto, que não precisa ser removido. A Montana Química tem a marca Osmocolor Stain, disponível em diversas cores e que atendem a cada necessidade de uso e exposição.

Píers

Píers podem ser construídos com madeira, alvenaria ou metal. Para píers domésticos, o uso da madeira é o mais frequente. Geralmente, emprega-se madeira tratada sob pressão, categorias de uso 4 de 5, segundo os padrões adotados pela AWPA (American Wood Protection Association).

A expectativa de vida média de um píer construído nessas condições e tratado com Osmose K33 C é de 20 a 30 anos, prevendo-se manutenção anual.

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