Floresta Nativa

24 Sep 2016

De acordo com a Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006, no Brasil define-se como florestas naturais ou nativas as formações vegetais predominantemente lenhosas, ou seja, arbóreas e arbustiva-arbórea, bem como as fases sucessoras dessas formações vegetais, desde que constituídas por espécies de ocorrência natural no Estado. No Brasil, os exemplos são: Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Mata dos Cocais e Mata de Araucárias.

Floresta Amazônica

A extensão total da Floresta Amazônica é de aproximadamente sete milhões de quilômetros quadrados, sobrepondo-se à área da bacia hidrográfica do Amazonas, incluindo a bacia dos rios Araguaia e Tocantins. A Floresta Amazônica é distribuída da seguinte forma:

  • 60% dentro do território nacional;
  • 40% em território estrangeiro, distribuídos entre Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.

Os 60% correspondentes ao Brasil constituem a chamada Amazônia Legal e englobam nove Estados brasileiros, correspondendo à totalidade dos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Estado do Maranhão, perfazendo uma superfície de aproximadamente 5.217.423 quilômetros quadrados.

A Floresta Amazônica é constituída por:

  •  38% (1,9 milhão de quilômetros quadrados) de florestas densas;
  • 36% (1,8 milhão de quilômetros quadrados) de florestas não densas;
  • 14% (700 mil quilômetros quadrados) de vegetação aberta, como cerrados e campos naturais
  • 12% ocupada por vegetação secundária e atividades agrícolas.

Era considerada erroneamente como o "pulmão do mundo". Foi comprovado cientificamente que a Floresta Amazônica consome cerca de 65% do oxigênio que produz pela fotossíntese, com a respiração e transpiração das plantas. Atualmente, aceita-se o conceito de "ar-condicionado do mundo", devido à intensa evaporação de água da bacia. A corrente de ar e a intensa atividade biológica contribuem para manter a temperatura média do planeta e retardar o efeito estufa.

Há predomínio de temperaturas médias anuais entre 22°C e 28ºC. O total de chuvas varia de 1.400 a 3.500 milímetros por ano. O clima caracteriza duas épocas distintas: a seca e a chuvosa. É classificado como equatorial quente úmido ou subúmido, dependendo da região.

A Floresta Amazônica passa por grandes modificações devido ao desmatamento descontrolado. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) estima que o desmatamento no período de agosto de 2005 a agosto de 2006 seja de 14.039 quilômetros quadrados, com uma margem de erro de 4%.

As quatro principais causas apontadas para o desmatamento na região são:

  • legislação da ocupação da terra;
  • produção de alimentos (projetos agropecuários);
  • infraestrutura (estradas, hidrelétricas, etc.);
  • extração de recursos naturais (minerais e florestais).

Vale lembrar que a exploração madeireira não é a principal causa da destruição das florestas tropicais no Brasil, embora os madeireiros sejam considerados os principais vilões pela opinião pública em geral.

O gráfico abaixo mostra a taxa de desmatamento da Floresta Amazônica, em quilômetros quadrados por ano, entre 1988 e 2008.

Mata Atlântica

A Mata Atlântica originalmente cobria o litoral brasileiro de ponta a ponta. Estendia-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul e ocupava uma área de 1,3 milhão de quilômetros quadrados. Era a segunda maior floresta tropical úmida do Brasil, só comparável à Floresta Amazônica. Atualmente, restam apenas cerca de 5% de sua extensão original, aproximadamente 52 mil km².

Em alguns lugares, como no Rio Grande do Norte, não são encontrados nem vestígios dessa vegetação. Hoje, a maior parte da área litorânea que era coberta pela Mata Atlântica é ocupada por grandes cidades, pastos e agricultura. Porém, ainda restam manchas da floresta na Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira, no sudeste do Brasil.

Seu clima é equatorial ao norte e quente temperado úmido ao sul, com temperaturas médias elevadas durante o ano todo e não apenas no verão. A alta pluviosidade nessa região deve-se à barreira que a serra constitui para os ventos que sopram do mar. Seu solo é pobre e a topografia é bastante acidentada. No interior da mata, devido à densidade da vegetação, a luz é reduzida.

Esse tipo de formação florestal recebe várias denominações, todas corretas: floresta latifoliada tropical úmida de encosta (segundo a classificação de Andrade-Lima), mata pluvial tropical (segundo Romariz) e Mata Atlântica (denominação geral).

Atualmente, grande parte da Floresta Atlântica está protegida por leis de conservação e preservação, coibindo, na medida do possível, a exploração predatória que vinha sofrendo.

Mata dos Cocais

A Mata dos Cocais é uma floresta de transição situada na região do nordeste brasileiro, entre a caatinga e o cerrado. Encontramos esta formação florestal principalmente no norte dos estados do Maranhão e do Piauí. As árvores típicas da Mata dos Cocais são o babaçu (em maior quantidade), carnaúba, oiticica e buriti.

É uma floresta de estrato arbóreo mais baixo em relação às florestas mais densas. Lá são encontradas diversas espécies de arbustos e vegetações de pequeno porte, predominando sempre as palmáceas.

Mata de Araucárias

A Mata das Araucárias, também conhecida como Mata dos Pinhais, é uma floresta subtropical e pode ser encontrada na região Sul do Brasil, nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e com ocorrências esparsas em Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Esta floresta caracteriza-se pela ocorrência dominante da espécie Araucaria angustifolia, conhecido como Pinheiro-do-Paraná. Nessas florestas ocorrem outras espécies, que foram muito exploradas comercialmente em passado recente, como o Cedro, a Imbuía e vários outros tipos de Canelas. O alto volume de madeiras de boa qualidade presente possibilitou sua exploração industrial por algumas décadas.

Os pinheiros são árvores altas, medindo em média de 20 a 30 metros de altura. São usualmente conhecidos como coníferas por causa do formato geralmente triangular da copa. Outra particularidade é o formato de folhas deste tipo de árvore, em forma de agulha. Por isso a floresta pode também ser chamada de aciculifoliar.

Assim como outras formações florestais do Brasil, a Mata das Araucárias encontra-se em processo de degradação. Nas últimas décadas, sua extensão diminuiu significativamente. Este processo ocorre em função do corte ilegal de árvores, que são destinadas à produção de madeira para fabricação de móveis, papel, resinas, entre outras. A abertura de novas áreas destinadas à agricultura e à pecuária também tem contribuído para o desmatamento. Ambientalistas afirmam que, aproximadamente, 95% da mata nativa foi derrubada nas últimas décadas.

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