Casa de madeira roliça - Casabella

Madeira tratada na construção

08 Nov 2011

Esses paradigmas foram apresentados por Ennio Lepage no Encontro Técnico em preservação de madeiras realizado em 2010, em Imbituba (SC), estabelecendo os graus de prioridade apresentados a seguir, em escala decrescente.

  • segurança questionável contra o fogo;
  • imagem de pouca durabilidade;
  • falta de conhecimento e de experiência na engenharia e construções com   madeiras;
  • a madeira não é considerada como um material estrutural autêntico, pela maior parte dos projetistas;
  • práticas construtivas tradicionais.

 A tecnologia da preservação de madeiras, especialmente para madeiras de reflorestamento, é uma resposta para esses questionamentos. Os pequenos impactos ambientais negativos, causados pela madeira tratada, são superados pelos benefícios decorrentes da extensão da vida útil em serviço, quando comparada com a madeira sem tratamento.

 Um consenso entre os técnicos em preservação de madeira no país permitiu a elaboração de uma classificação dos diversos usos da madeira preservada, em função da intensidade de atuação dos agentes biológicos existentes. A tecnologia da preservação de madeiras serve de resposta para a aplicação das madeiras de baixa resistência biológica como elemento construtivo em áreas de grande agressividade, como exposição ao intemperismo, umidade permanente, contato com o solo, bem como aquelas que possuam elevada responsabilidade estrutural.

 O emprego de produtos preservativos, com respostas para as questões da segurança à saúde para o construtor e usuários, foi essencialmente importante para o uso crescente da madeira preservada na construção. As exigências impostas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), para registros e aprovação de preservativos de madeira, asseguram e contribuem para a construção de uma cadeia de produção consciente, regulamentada e com fundamentos produtivos responsáveis, que adotem boas práticas de fabricação.  

 Atualmente, o custo da madeira de pinus tratada comparada com a mesma espécie sem tratamento é de aproximadamente 50% maior. Entretanto, o desempenho de durabilidade esperado para a madeira de pinus tratada é até mais de 10 vezes superior ao desempenho da mesma espécie não preservada, considerando-se a mesma condição de uso e de agressividade biológica.

 Nos dias de hoje, em que a preocupação com o meio-ambiente e com as mudanças climáticas domina as discussões que ocorrem nos fóruns de âmbito mundial, a Análise de Ciclo de Vida (LCA), principal ferramenta usada na aferição da sustentabilidade de um material, comprova as vantagens ambientais das construções de madeira sobre alternativas como aço, o concreto e o PVC. Na produção destes materiais é muito grande o consumo de energia e de água, além do potencial contaminante particularmente elevado no caso do PVC. As árvores convertem em madeira o CO2 da atmosfera, contribuindo para a redução do aquecimento global, sendo, desta forma, o maior concentrador de carbono do planeta.

 Outro fato a ser destacado é que atualmente existe uma crescente e importante preocupação do setor industrial da construção em especificar e utilizar materiais com adequado tratamento dos resíduos produzidos em canteiros de obras e até mesmo, após o produto ter cumprido a finalidade a que se destina, mesmo depois de anos em serviço. Portanto, madeira preservada, assim como madeiras industrializadas, contém produtos que devem receber tratamento especifico para destinação de resíduos. A madeira preservada oferece alternativas que respondem aos anseios dos usuários atentos às questões de segurança ambiental, reforçando suas qualidades como material construtivo de inigualável valor.  As alternativas consistem no emprego de critérios técnicos adotados em toda cadeia de produção. As usinas de preservação de madeiras devem preocupar-se com o atendimento dos pedidos, conforme padrões e dimensões de uso na obra, evitando desperdícios de material sólido nesse local.

 A usina de preservação de madeira deve também prestar todo esclarecimento ao usuário, de forma a minimizar a geração dos resíduos e indicar a maneira de tratá-los de forma segura. A reutilização de resíduos e transformação em novos produtos é uma importante resposta técnica e econômica, reduzindo o impacto na destinação para aterros industriais e contribuindo para a conceituação ambientalmente amigável. Investimentos estão sendo conduzidos pela Montana Química S.A. em pesquisas com a USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos – Lamem (Laboratório de Madeiras e de Estruturas de Madeiras), para utilização de resíduos de madeira preservada na produção de painéis (chapas coladas), dando origem a um novo produto de aplicação comercial.  Vale destacar que o Sinduscon-SP, juntamente com a Cetesb e outras entidades parcerias, elaborou uma cartilha sobre “Gerenciamento de Resíduos de madeira Industrializada na Construção Civil”, que contém informações sobre a condução adequada na destinação desses resíduos.

 Espera-se que com esses fatores, aliados a diminuição nas novas gerações dos preconceitos de nossos antepassados ao uso da madeira, se possa ter a curto e médio prazo, uma mudança radical do cenário que vem persistindo há muitos anos. Esperamos que no Brasil a Revolução Ambiental (séculos XX e XXI) seja a mola propulsora do uso sustentável, com uso intensivo da madeira de reflorestamento na construção civil. Os ingredientes estão todos aí e são francamente favoráveis. Basta apenas que os atores envolvidos não esmoreçam e continuem na luta.

 Humberto Tufolo Netto
Diretor Comercial da Montana Química S.A.

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