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Acabamentos para madeira de uso externo

15 Abr 2011
Dr. Ennio Lepage

Por Ennio Lepage, consultor técnico da Montana Química S.A.

Entre os diversos materiais destinados à construção civil, somente a madeira reúne qualidades, principalmente sob o critério da sustentabilidade, que a elegem como aquele que melhor integra o homem ao meio ambiente. Entretanto, e a exemplo do que ocorre com outros materiais, também devem ser conhecidas suas limitações para adotar medidas para que se obtenha maior durabilidade dos produtos à base de madeira.

 O que é “weathering”

O fenômeno designado de maneira genérica pelo termo “weathering” (intemperismo em inglês) define o lento processo de degradação que atinge todos os materiais expostos ao tempo. O mecanismo de deterioração depende do tipo de material considerado, mas a causa é sempre a combinação dos fatores naturais: luz solar, variações de umidade e de temperatura, abrasão eólica, poluentes atmosféricos e agentes biológicos.

No caso específico da madeira, o “weathering” tem como gatilho a radiação ultravioleta do espectro solar que origina o processo de decomposição fotoquímica caracterizado por reações em cadeia, coadjuvado pelos outros fatores mencionados.Trata-se de um processo superficial, que não traz efeito importante sobre a resistência mecânica da madeira e atua sobre a aderência dos acabamentos e principalmente sobre a estética.

A degradação começa ao primeiro contato da madeira com a luz solar. Inicialmente observa-se uma alteração de cor, escurecimento ou clareamento da madeira, conforme a espécie considerada. Como as reações fotoquímicas ocorrem principalmente na lignina, que contém o material de cimentação das fibras, ocorre um lasseamento nas camadas superficiais. As fibras soltas são lavadas pela chuva ou arrastadas pelo vento.

 Esse processo é lento. A umidade e a temperatura são os principais fatores que predispõem um substrato ao aparecimento de míldios, nome genérico dado ao crescimento observado de certos fungos emboloradores. Existem aproximadamente 100.000 espécies de míldios presentes no ar. Por isso, há fabricantes que incorporam biocidas em suas formulações, mas se eles forem aplicados sobre madeira já contaminada, sua eficiência ficará comprometida. Entretanto, os efeitos do “weathering” são superficiais e não comprometem a estrutura mecânica da madeira.

Produtos que retardam o “weathering”

  Além de produtos químicos, principalmente à base de metais, destacando-se entre eles os compostos à base de cromo, e as formulações designadas com WRP (Water Repelent Preservatives), destacam-se pela importância comercial, para o retardamento do “weathering”, stains, tintas e vernizes. Os acabamentos para madeira podem ser reunidos em dois grupos, conforme suas características na formação de película.

Acabamentos que formam película superficial

  Nesta categoria encontram-se tintas e vernizes. Apesar de terem algumas características interessantes no retardamento do “weathering” como impermeabilização da superfície e variedade de cores, elas também apresentam inconvenientes principalmente quando aplicadas sobre madeira sem tratamento. Por não acompanhar as variações dimensionais dessa madeira, em função das variações de umidade relativa do ar, a película superficial pode apresentar pontos de ruptura que irão reter a umidade favorecendo o apodrecimento. Outro aspecto indesejável, sobretudo para os apreciadores da madeira, é o fato das tintas esconderem a bela textura natural do material. As tintas podem ser oleossolúveis (base alquídica) ou hidrossolúveis (geralmente à base de polímeros acrílicos ou vinílicos). Tinta na base óleo é uma mistura de pigmentos finamente divididos numa resina aditivada para acelerar a cura e melhorar a aplicação. A resina mais simples pode ser um óleo secativo, como o de linhaça. As tintas na base oleosa mais modernas combinam um óleo secativo com um álcool poli-funcional. As modernas tintas desse tipo possuem um complexo sistema de solventes para o atendimento das atuais exigências ambientais sobre Compostos Orgânicos Voláteis (VOC). Tintas base látex também são formuladas com uma mistura de pigmentos numa resina sintética aglutinadora, formando uma película flexível. As principais resinas usadas nesse tipo de acabamento de madeira são do tipo vinílico ou, então, acrílico. São dissolvidas, principalmente, em água e, ainda, com outros solventes adequados para manutenção da flexibilidade. Usa-se primer ou seladora.

 Vernizes diferem das tintas por não possuírem pigmentos em sua formulação. Deixam aparente a textura natural da madeira. Por serem transparentes, sua fórmula deve conter filtros solares para proteger a madeira da decomposição fotoquímica. A Montana Química S.A. produz o verniz Solare Premium, cujas características podem ser encontradas no site da empresa (www.montana.com.br ). Uma característica comum a todos os acabamentos formadores de película é o fato de exigirem, antes da reaplicação, preparação da superfície da madeira, passando inclusive pela remoção total do revestimento anterior.

Acabamentos sem película superficial

  Nesta categoria encontram-se os diversos tipos de stains. Genericamente, stains são produtos impregnantes que devem penetrar na madeira. Têm filtros solares para protegê-la especialmente da radiação ultravioleta. Também têm efeito decorativo. Os stains, segundo a Abrafati (Associação Brasileira Dos Fabricantes de Tintas) podem ser classificados em duas categorias:

Stains Impregnantes de Acabamento : podem ou não possuir fungicida, algicida ou inseticida em sua composição, que podem ter ação fungistática. Não necessitam de registro no Ibama (Instituo Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Stains desta categoria não são considerados “preservativos”. Por isso é vetado ao fabricante, veicular qualidades do produto como “ação fungicida”, “preservativo impregnante”, “protetor contra fungos e agentes biodeterioradores da madeira” e similares. Isto vale tanto para rótulos, quanto para boletins técnicos e a mídia em geral.

Stains Impregnantes e Preservativos : possuem ação fungicida, comprovada através de ensaios específicos normalizados pela ABNT. Necessitam, obrigatoriamente, de registro junto ao Ibama por serem considerados “preservativos” que imunizam a madeira contra a ação de fungos. Devem constar em rótulos o número de registro no Ibama e a composição com o teor de ingrediente ativo.

A norma ABNT-11702 também descreve estes dois tipos de stains.

Principais vantagens dos stains em relação a tintas e vernizes convencionais:

  • acompanham os movimentos da madeira (contração e inchamento) durante as variações de umidade e, por isso, o acabamento não apresenta trincas ou outros defeitos;
  • deixam aparente a grã da madeira numa intensidade que varia entre os produtos Transparentes, Semitransparentes e de Cores Sólidas;
  • nas reaplicações não se exigem grandes preparações. Apenas uma limpeza da superfície e/ou um leve lixamento.

No mercado de stains, há 30 anos, a marca Osmocolor  tornou-se sinônimo de qualidade. A ponto de ser usado, com frequência, para designar a própria categoria de acabamento a qual pertence. Para consumidores e distribuidores, a marca Osmocolor é sinônimo de stain.

No site da Montana (www.montana.com.br) encontram-se todas as informações necessárias para a escolha e usos dos stains da linha Osmocolor nas versões Transparente, Semitransparente e Cores Sólidas. Todos possuem filtros solares que podem ser inorgânicos e orgânicos. Entre os inorgânicos podem ser encontrados vários óxidos metálicos como, os de ferro e de titânio. No caso dos orgânicos há dois tipos: UVA (UltraViolet Absorbers) e HALs (Hindered Amine Ligth Stabilizers). Os absorvedores de UV também concentram parte da radiação solar, especialmente nos comprimentos de onda correspondentes à faixa ultravioleta. Os HALs inibem os radicais livres oriundos do ataque às resinas e pigmentos, impedindo as reações em cadeia, protegendo a madeira e o revestimento.

 

Acabamento de madeira tratada com CCA ou CCB-O

Os produtos CCA (Arseniato de Cobre Cromatado) e CCB-O (Borato de Cobre Cromatado) respondem por mais de 90% do mercado de madeira tratada no Brasil, onde a Montana Química S.A. é líder na produção desses insumos. Madeira tratada com qualquer desses produtos torna-se biologicamente resistente e pode ser usada em construções comerciais e residenciais. Destaca-se o seu emprego em madeiramento para decks, fundações, gazebos, pérgolas, material de jardinagem, situações em que a aparência pode ser melhorada e a durabilidade incrementada ainda mais pelo uso de um acabamento como stain ou tinta.

 Madeira tratada com CCA ou CCB-O aceita facilmente revestimentos e até contribui para melhorar seu desempenho devido à presença de cromo em suas composições.

Madeira tratada com CCA ou CCB-O adquire uma tonalidade esverdeada ou escurecida após o processo de cura. O melhor acabamento para essas madeiras, que ainda potencializa sua resistência a míldios, é o uso de um stain adequado. Há mais detalhes e simulações de uso do Osmocolor no site da Montana Química S.A. Grande parte da madeira tratada com CCA ou CCB destina-se a decks. Neste caso recomenda-se o uso de stains Transparentes ou Semitransparentes. Esta recomendação vale também para madeira sem tratamento e na mesma condição.  

 

Considerações Finais

Usada corretamente, a madeira é um material de construção que atende uma ampla gama de requisitos de projeto. Oferece características incomparáveis com relação à durabilidade, ao custo e à aparência. O material madeira é de extrema versatilidade, atendendo a praticamente todos os apelos estéticos, que vão da aparência rústica à textura suave.Outra característica marcante neste material é a facilidade de transporte, fabricação – mesmo com o emprego de ferramentas de uso não profissional – e a manutenção acessível, principalmente no que diz respeito aos acabamentos empregados.

Seu perfil de material ambientalmente amigável sempre está presente, quer se use madeira nativa de elevada durabilidade natural, oriunda de manejo sustentável, quer se opte por madeira de reflorestamento tratada de acordo com os preceitos da moderna tecnologia.

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

 

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BUSJAEGER, S. et al.  Mildew and Mildew Control. Journal of Coatings Technology. v. 1, nº 9, sep.2004. p. 42-48.

DANIEL, T. et al.  Clear Exterior Finishes: Finding the Balance Between Aesthetics and Durability. Journal of Coatings Technology. v. 71, nº 890, mar.1995. p. 67-69.

HY-TECH –Thermal Solutions . – .  Mildew and Mildew Control for Painted Surfaces.

Disponível em: <http:/ www.hytechsales.com/mildew.html >. Acesso em 10.nov.2010.  

LEPAGE, E.  S.   M anual de Preservação de Madeiras . V. 1. Publicação IPT nº 1637. 342 p. 1986.

ROSS, A. et al.  Professional Finishing of CCA  Pressure Treted-Wood.  American Paint Contractor. V. 69, nº 7, jul. 1992. p.107-114.

 

WILLIAMS, S.  Finishing of Wood.  Cap. 16 in Wood Handbook – Wood as an Engineering Material – Centennial Edition. Forest Products Laboratory. USDA. Madison, Wis. P. 16-1 – 15-39. 2010.

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