Tendências Internacionais na Preservação de Madeiras

27/10/2008 - Centro Gestor de Inovação Moveleiro

Novos produtos surgem no mundo todo em curto espaço de tempo, substituindo o que existia antes. Na preservação não é diferente. Exceto para um “clássico”, como o cobre, que até hoje não tem substituto à altura.

A tendência pôde ser verificada em um dos fóruns internacionais mais respeitados, o IRG – International Research Group 39 Annual Conference , realizada em Istambul, Turquia, este ano. Tudo começou com uma campanha nos Estados Unidos, no começo da década passada, contra o elemento arsênio. A opinião pública foi fustigada com supostos eventos de contaminação, jamais comprovados. Ao contrário, a Gradient Corporation foi a campo e comprovou que nenhum dos casos relatados, que colocaram a população na defensiva, devia-se à presença do arsênio (Evaluation of Human Health Risks from Exposure to Arsenic Associated with CCA – Treated Wood – Oct, 2001 – Dra. Bárbara Beck).

Entre diversos candidatos a substitutos, os principais foram o Quatz e o Azolis , sempre em meio amoniacal. Qual o maior problema deles? Simplesmente, preços. Estas alternativas custam quatro vezes mais do que o CCA, um preservativo de madeira que se tornou referência em todo o mundo – tanto no quesito segurança, quanto em matéria de eficácia – em mais de 70 anos de uso nos campos e nas cidades. Mas as alternativas não deixam a desejar apenas em matéria de custos. Seu desempenho também não justifica plenamente uma troca.

Contrariedades

Problemas com as alternativas ao CCA começam a roubar a cena no palco internacional da preservação. Um dos pontos fortes apresentados pelos fabricantes, é que a nova geração de preservativos oferece menor toxicidade e, portanto, menos risco ambiental. Mas, se levado em conta o fenômeno da lixiviação, essas alternativas têm menor poder de fixação na madeira e lixiviam para o meio ambiente em quantidades muito elevadas se comparadas ao CCA.

Outro problema com a nova geração de preservativos, diz respeito ao crescimento de fungos emboloradores, os chamados “míldios”. Para combatê-los, esta categoria de produtos precisa de aditivos. Todos os fabricantes procuram uma saída e o cobre, por ser a única solução eficaz e viável até o momento, acabou na berlinda injustamente.

Corrida contra o tempo

Trabalhando em conjunto, duas empresas dos Estados Unidos desenvolveram o chamado “cobre micronizado” (MCQ), que contém aditivos fungicidas e sinergia contra insetos. Elas negociavam seu produto em substituição ao ACQ (cobre solúvel) que, por sua vez, foi apresentado ao mercado como o substituto à altura do CCA em determinadas classes de risco a que se expõe a madeira. Acontece que o CCA continua com ampla aceitação e sem contra-indicações reais para tratamento de postes, mourões, cercas e materiais estruturais de construção.

Além disso, alguns testes de campo produziram resultados adversos. Numa avaliação independente, Darrel Nichols, autoridade internacionalmente reconhecida em preservação, demonstrou a diferença entre os dois produtos com uma amostra de estacas-controle tratadas com ACQs e MCQs. A desvantagem ficou com os MCQs.

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